Ms. Othon Vieira Neto (in memoriam)

"O trabalho da gente é impedir que a dor se transforme em patologia."

Ms. Othon Vieira Neto (in memoriam) foi Psicólogo Clínico de base psicanalítica por mais de 30 anos

Tornou-se mestre em Psicologia da Saúde pela Universidade Metodista de São Paulo.

Foi Professor Universitário e Supervisor de Psicoterapia Psicanalítica de adultos por mais de 20 anos.

 

Atuou em psicologia das emergências por quase 20 anos, tendo atuado nos desastres aéreos e em mais de uma centena de acidentes de trabalho.

 

Foi Presidente do Instituto Karunã de Assistência em Emergências.

Ministrou cursos de Psicologia de Emergências por quase 15 anos.

Alguns de seus trabalhos mais relevantes foram atuar nas seguintes situações:

- Enchentes em Santa Catarina (2008)

- Tornado em Guaraciaba (2009)

- Enchentes em Nova Friburgo (2011)

- Vazamento de gás cloro em Alagoas (2011)

- Enchente em Guidoval (2012)

- Incêndio na Boate Kiss em Santa Maria (2013)

- Enchente em Cubatão (2013)

Desenvolveu material didático de Atuação em Psicologia de Emergências através de intervenções clínicas individuais e também grupais, para atuar com populações atingidas por desastres, acidentes e violência urbana, objetivando prevenção primária, secundária e terciária.

Organizou e publicou o livro: Transtorno de Estresse Pós-Traumático: Uma neurose de guerra em tempos de paz.

Faleceu em 2018, após ter sido acometido pelo câncer.

       Esta homenagem foi feita pela Dra. Claudia Sodré, no dia do aniversário de 1 ano da morte do Dr. Othon.

 

       "Hoje faz um ano que Othon deixou este nosso lugar de convívio. Sendo assim, sinto-me motivada a celebrar compartilhando uma pequena parcela do que foi a sua vida com nossos amigos, ex-alunos e parentes.
       Conheci o Othon tínhamos 20 anos, ele já dava uma mostra de sua personalidade. Idealista, otimista, crítico, inconformado com injustiças, inteligente e... bonito. Não foi à toa que me apaixonei por sua faceta heróica.
       E logo começamos uma jornada que durou 39 anos. Pude, então, testemunhar muito do que ele foi e fez. 
     Sempre afeito às causas sociais e fiel as suas origens, ele foi parte do efervescente movimento estudantil da década de 70; na época em que foi bancário, lutou pelos direitos dessa categoria profissional; mais tarde, como psicólogo, foi conselheiro do CRP-06 por duas gestões.
       Logo se tornou um professor e supervisor dedicado. Suas aulas eram envolventes, interessantes e inteligentes como tudo o que ele fazia, porque as fazia com paixão.
       Não posso afirmar, porque nunca o ouvi dizer, mas entendo que ele tenha se desiludido aos poucos com os órgãos representativos das categorias e foi mergulhando cada vez mais no que revelou ser o seu primor. 
       Do trabalho clínico com seus antigos colegas de categoria, os bancários, nasceu sua tese e seu livro: Transtorno de Estresse Pós-traumático: uma neurose de guerra em tempos de paz. O trabalho com as vítimas de violência expandiu-se como um leque abarcando todas as formas de eventos disruptivos. Para aqueles para quem a dor psíquica era quase insuportável ele emprestava sua atenção, sua compreensão e, sim, seu desejo de ajudar. 
      Seu moto-contínuo o era a empatia pelas pessoas que sofrem e um esforço consciente e deliberado de, com seu trabalho, favorecer a superação desse sofrimento. Aos poucos ele adotou uma frase que passou a ser um de seus mantras: “Nosso trabalho é impedir que a dor se transforme em patologia.” E em momentos em que corria o risco da empatia pelo sofrimento se transformar em identificação, cunhou um outro: “Essa dor não é minha.” Assim podia permanecer lúcido e objetivo e dar o melhor de si na forma de uma intervenção psicológica.
       O Instituto Karunã de Assistência em Emergências nasceu de sua inspiração e empenho com o intuito de tratar principalmente pessoas atendidas por desastres. A experiência que vários psicólogos tiveram com o Karunã, e com a assistência em emergências de um modo geral, incluindo-me nisso, foi das mais intensas e significativas profissional e pessoalmente.        Sim, o Othon brilhava e espalhava otimismo e esperança sobre todos nós.
       No meio de tudo isso, no meio de tanta perda e tristeza, ele não perdia a sua fé e quando o trabalho terminava, se desvestia de sua persona profissional e era o Othon engraçado, bem-humorado e companheiro querido, pai presente e amoroso.

       A parte de sua vida pessoal e familiar, de sua presença como marido, amigo e colega, pois ele foi tudo isso pra mim, me pertence e eu quero guardá-la com carinho em meu coração. Ela é íntima, e a mantenho com amor e devoção.
       Mas, esta faceta de sua vida, essa pequena parcela de suas realizações me sinto orgulhosa e feliz em compartilhar pois sei que ele mudou para melhor a vida de muitas pessoas e auxiliou outras tantas a terem mais recursos em suas vidas profissionais. Das pessoas que beneficiou, formou inúmeras, orientou outras tantas, acolheu incontáveis. 
       Por isso, hoje é dia de celebrar a sua vida.


       Viva Othon Vieira Neto!"

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